O acervo passa a ter existência jurídica em 1911, por meio de lei que dotava o Estado da competência de preservar o conjunto artístico que contava então com 59 obras, definindo a Pinacoteca com diretrizes de um museu estatal. Num primeiro período, são realizadas diversas aquisições para o museu nascente, enquanto o Liceu organiza relevantes mostras. Da fundação até 1921, a Pinacoteca esteve atrelada à mesma direção do Liceu, sendo a atuação de Ramos de Azevedo significativa e propulsora de muitas ações. O acervo continua a crescer, especialmente com obras de artistas ligados à tradição, sendo exceção o ingresso, a partir da década de 1920, de trabalhos de Victor Brecheret, Anita Malfatti, Lasar Segall e Tarsila do Amaral. Na década de 1930, é incorporada uma obra de Candido Portinari; tais trabalhos criam ensejo para a entrada de obras modernistas num acervo ainda predominantemente acadêmico.

 

A partir de 1930, o Museu passa por sérios percalços, permanecendo fechado por dois anos. Sofre várias transformações no período e suas salas são utilizadas para usos diversificados: em 1930, serve como abrigo militar, além de ser acometido por um incêndio; é ocupado na ala direita pelo Grupo Escolar “Prudente de Moraes”, a partir do movimento que conduz Getúlio Vargas à Presidência da República; em 1932, o edifício é novamente requisitado para uso militar no período da chamada Revolução Constitucionalista. Nessa época conturbada, o acervo da Pinacoteca é distribuído por diversos órgãos públicos. A criação do Conselho de Orientação Artística do Estado em 1931 e um decreto passam a guarda, conservação e responsabilidade das obras da Pinacoteca para a Escola de Belas Artes de São Paulo (EBA-SP), instituição privada. Em julho do ano seguinte, todo o acervo é transportado para a nova sede do Museu, junto à referida escola, no antigo prédio da Imprensa Oficial, na Rua Onze de Agosto, sendo o diretor da instituição de ensino também responsável pela Pinacoteca. A separação dos cargos só ocorre em 1939, por meio de outro decreto, que cria o cargo de Diretor Técnico. As obras da Pinacoteca só retornam à sede no Parque da Luz em 1947, juntamente com a EBA-SP, agora com funcionamentos autônomos.

 

A partir de 1932, a Pinacoteca tem duas grandes gestões, ambas acadêmicas: a primeira de Paulo Vergueiro Lopes de Leão (1932–1944) e a segunda de Túlio Mugnaini (1944–1965). Durante esses anos, dedica-se à complementação de seu acervo com obras ligadas a uma tradição clássica por excelência. A situação altera-se a partir do final da década de 1960, durante as gestões de Delmiro Gonçalves (1967–1971), Clóvis Graciano (1971) e Walter Wey (1971–1975). Nesse período, são realizadas obras emergenciais no edifício, ampliação das atividades do museu e mudanças no critério de incorporação de obras ao acervo, o que passa a ser realizado pelo Conselho de Orientação Artística (COA) da Pinacoteca do Estado, criado por decreto em 1970.

Nenhuma resposta to “”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: